Non site specific II

 

Nesta segunda abordagem continuei a utilizar a fita de sinalização, no entanto desta vez o espaço da obra deixa de ser um espaço normal da cidade, e passa a ser enquadrado dentro de um espaço visual de um presente fotográfico. Esse espaço escolhido foi o museu de Serralves, mais propriamente o vão de escada que dá acesso quer à biblioteca, quer ao bar do museu.

A utilização deste espaço dentro do museu, mas ainda fora do espaço expositivo do mesmo, pareceu-me fundamental para uma aproximação do observador ao “objecto” em causa, mas ainda de forma não completamente explicita, de maneira a provocar no observador essa experiência de um sublime sobre a obra e o seu paradoxo de estranheza no espaço.

 

Pretende despertar no observador uma (re)acção na contemplação de algo normal, que se encontra perfeitamente inserido e enquadrado no espaço da janela, espaço esse que sugere através do seu enquadramento uma aproximação à visualização e questionamento da mesma. Aqui a obra, surge no percepto, como um despertar de uma sensação nova e abstracta, sobre algo geralmente insignificante. E, é aqui, pelo enquadramento da mesma, no paradigma do eventual presente fotográfico de um plano de vidro, que, se estabelece a primeira percepção do paradoxo observável, onde o não verbal da observação começa a ser perceptível, através de uma primeira imagem nua, representada na possibilidade de ser observada como uma imagem subliminar, perto da fronteira do non site representado na fotografia, suscitando a atenção das pequenas observações do espectador.

‘Non site specific II’ ‘Museu de Serralves’ Instalação by Filipe Garcia Porto PT 2011 museu de serralves