Minha Mãe – Volume I
“Mãe amor” Minha Mãe – Volume I
Foi nesse primeiro olhar deslumbrante
que abri meu coração por ti ao mundo
pelo amar literário desse instante
pelo tocar que senti do mais profundo.
Foi nesse aperto intenso de nascer
que me projetaste à palavra livre idade
de ti arrebatei no modo de fazer
o texto e o cantar ilustre de vontade.
Do movimento à pausa e de olhar na vida
foste fomentando todas as minhas idades
dando regras e talhando idas, vindas e tidas
para assim regrar tamanhas cumplicidades.
Ao crescer fui vivendo destemido
contigo a pautar-me esse caminho
ora firme, ora pausa, ora terno,
no adoçar desse amor enternecido.
Regulando o excêntrico menino
pelo timbre que sabias ser o termo
desse amor infinito e intuído
adornado pelo sonho cá do ermo.
Na loucura e na beleza do sublime
lá estiveste bem presente em sustento
pois o homem só se faz se bem nutrido
pelo corpo maternal desse momento.
Já crescido e lugar aberto ao ludo
viajei na destreza prece in tento
tal ungido é o corpo se sofrido
que ilumina essa cria de alento.
Minha terra, minha língua, meu amor
serás sempre a palavra predileta
desta rima que transcende toda a dor
Mãe amor, filho, infinito do poeta.
